O que é Física Quântica?

O filósofo Robert Anton Wilson explica de maneira simples o que é Física Quântica

Este texto é apenas uma transcrição da excelente explicação dada pelo filósofo Robert Anton Wilson para a pergunta que intitula este post…

Explicar Física Quântica de maneira simples…

Quando me mudei de Los Angeles, fui morar em uma cidade que eu achava ser Santa Cruz; Então tivemos algo roubado de nosso carro; chamamos a polícia e descobrimos que não morávamos em Santa Cruz, morávamos numa cidade chamada Capitola. O correio achava que morávamos em Santa Cruz, mas a polícia achava que morávamos em Capitola. Eu comecei a investigar isto e um repórter do jornal local me disse que não morávamos nem em Santa Cruz, nem em Capitola; morávamos numa área não-incorporada chamada Live Oak.

Agora, Mecânica Quântica é mais ou menos assim, exceto que n ocaso de Santa Cruz, Capitola e Live Oak, nós não ficamos muito confusos porque nos lembramos, nós inventamos as linhas no mapa. Mas a Física Quântica parece ser confusa porque muitas pessoas acham que nós não inventamos as linhas, então parece difícil entender como uma partícula pode estar em três lugares ao mesmo tempo sem estar em nenhum lugar. Mas quando você lembra que inventamos todos os limites, fronteiras e linhas, como o Muro de Berlin, então a Mecânica Quântica não é mais misteriosa que o fato de eu morar em três lugares ao mesmo tempo.

Nenhum chinês educado no I Ching alguma vez achou a Mecânica Quântica confusa. Só é confusa para pessoas educadas na lógica aristotélica, onde as coisas são A ou não são A. No I Ching as coisas são A e não são A ao mesmo tempo.

Com a Mecânica Quântica você pode provar experimentalmente que a luz é feita de partículas. Você pode construir uma teoria matemática inteira da luz viajando em pequenas partículas, chamadas fótons, e você pode fazer experimentos que te darão padrões mostrando que a luz viaja como partículas. Nós também temos uma teoria matemática inteira montada, mostrando que a luz viaja como ondas, e temos experimentos que te mostram que a luz viaja como ondas. Como disse um físico na década de 1920:

“Parece que a maldita luz está esperando para ver como faremos o experimento, e então decidir como irá viajar.”

Schrödinger disse: “Eu queria nunca ter me metido com essa maluquice quântica! Esses malditos saltos quânticos!”

A versão modificada de Copenhagen, é que a luz não é nem onda nem partícula até olharmos, e então ela se ajusta dependendo do que estamos usando para observá-la.

Um elétron não está em lugar nenhum até olharmos. Quado olhamos, o elétron decide ficar em algum lugar enquanto olhamos. Assim que paramos de olhar, o elétron está em todos os lugares de novo.

Cada modelo que criamos nos diz como nossas mentes funcionam, tanto quanto nos fala sobre o Universo. Esses são apenas jogos simbólicos humanos. O Universo em si é maior do que qualquer um dos nossos modelos.

De acordo com o Zen Budismo e a maioria das formas de Budismo, qualquer descrição do Universo que não te inclua é inexata, porque qualquer descrição do Universo é a descrição do instrumento usado para empregar sua leitura do Universo. Se o único instrumento que você usou foi seu sistema nervoso, você deve incluir o seu sistema nervoso na sua descrição do Universo.

Então, cada modelo que criamos, não descreve o Universo, descreve o que o nosso cérebro é capaz de dizer no momento.

Muito antes da Mecânica Quântica, o filósofo alemão Husserl disse que toda percepção é uma aposta. Todo tipo de inveja, todo tipo de racismo, sexismo, preconceito, todo tipo de ideologia dogmática que permite aos outros matarem com a consciência limpa, todo culto estúpido, toda religião movida por superstição, todo tipo de ignorância no mundo. São todos resultados que nossas percepções são apostas.

Não acreditamos no que vemos, e então acreditamos na nossa interpretação daquilo, e nós nem percebemos que estamos fazendo uma interpretação na maioria das vezes. Achamos que isto é a realidade.

Na filosofia isto se chama realismo ingênuo; “O que eu percebo como realidade.”

Filósofos vem refutando o realismo ingênuo pelos últimos 2500 anos, começando com Buda e Platão, e mesmo assim as pessoas ainda agem na base do realismo ingênuo. Hoje o argumento é: “Bem, talvez minha percepção seja inexata, mas em algum lugar há exatidão, os cientistas a tem com seus instrumentos. É assim que podemos descobrir o que é realmente real.” Mas a relatividade e a Mecânica Quântica demonstram com clareza que o que você descobre com instrumentos é na verdade apenas em relação ao instrumento sendo usado e aonde o instrumento está localizado no espaço-tempo. Então não há nenhum ponto de vantagem do qual a “verdadeira realidade” pode ser vista, estamos todos observando de vista dos nossos túneis de realidade. E quando começamos a entender que estamos todos olhando do ponto de vista dos nossos túneis de realidade, descobrimos que é muito mais fácil entender de onde outras pessoas estão vindo. Todos que não tem os mesmos túneis de realidade que nós não parecem ser ignorantes, ou propositalmente perversos, ou mentirosos, ou hipnotizados por uma ideologia maluca, eles simplesmente tem um túnel de realidade diferente, e todo túnel de realidade pode nos dizer algo interessante sobre o nosso mundo, se estivermos dispostos a ouvir.

Fonte: https://www.youtube.com/watch?v=HEdOMkI2waU

 
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